
Ingredientes:
Sua vida, a vida de outras pessoas.
Livros, obras de arte, músicas e produtos de cerne humano.
Matéria prima de um ser vivo como a ignorância, o ignorar certas coisas, a pureza, a maldade,a bondade, e tantos outros pares de sentimentos opostos e características existenciais.Também opostas.
Instrumentos: É de suma importância uma peneira.
Recipientes: O mundo- Interno e externo.
Modo de preparo:
Agarre-se a uma idéia,causa ou motivo e renuncie ao seu ser mais completo.
Escolha acompanhar apenas uma personalidade e em nome dela,ignore outras. Permita assim,restringir sua visão do conhecimento.E claro, permita ignorar,primariamente,a si mesmo.Seja cópia e esqueça de quem você era quando nasceu.
Ande rápido ou devagar, sempre quando não precisa nem de um ou de outro.
Saiba os momentos errados para fazer a opção certa.
Não se esqueça de deixar de pensar no porquê evitar aquilo que te causa medo.
Se você não pensa, a assadeira permanece untada. 100% de sucesso de seu bolo alimentar crescer.
E bota bolo nisso.
Você dá o bolo no ex colega de trabalho que está atravessando a rua e você prefere fingir que não vê. E também naquele parente que um dia disse algo que te desagradou.
Não podemos esquecer daquele sujeito que não se encaixa nos seus padrões: nem os culturais,muito menos os sócio econômicos.Quanto atrevimento ele existir,não?
E as ocasiões em que você precisava ter atitude,ter uma postura,tomar uma decisão mas não tomou.
O diferente e ignorado dá o ponto exato da massa.
Lave bem o seu ego, e deixe de molho em partes grandes. Se ao peneirá-lo,tiver dificuldade,não insista. É de partes grandes que a fuga se realiza.
Entregue-se. Seja às drogas,ao álcool ou à comida.
É uma medida rápida de acelerar o processo de cozimento.
Siga as receitas. Incluindo a leitura das citações,sem conhecer a obra completa.
Isso acaba com o espírito perceptivo,mas com certeza fará um tempero único de hipocrisia, muito saboroso aos olhos da maioria, e sua receita se tornará muito maior e mais fofa.
Há os que preferem mudar a forma de lugar. Mas também os que nunca mudam,com medo de (se) perderem. Extremos que nem raízes nem asas,salvam da mediocridade. Não importa. Para esta receita , ter superstição também ajuda. É ,afinal,uma outra boa maneira de fugir.
Pegue alguns daqueles dias em que mais precisam de você e por medo,você não vai,sabe? Não fala,não ousa e enxerga até ao desperdício. Mas não usa.
Lembre-se da dica inteligente da cozinha da vovó: Aquilo que não se utiliza...acaba estragando...se passar do ponto de acrescentar,e da quantidade, a massa não vinga.
Refogue as suas mágoas,exclua os nutrientes do recheio e fique com a casca.
Leve ao forno e acrescente uma camada de fixador de máscaras para viagem.
Não tente desenformar e, se for preciso, asse sobre a brasa do carvão.
Firme bem para que não caiam as partes do bolo. Afinal,ele não tem pontas para serem afinadas.E quanto mais reto e enformado,melhor para servir.
Sirva à vontade até que seja tarde demais para que sua consciência acorde.
Espere as visitas deixarem a festa e logo adormeça.
Isso garante o "Grand Finale" de qualquer vida.
(E não abuse demais porque um pedaço de fuga é suficiente para causar indigestão).
Bon'apetit!