quarta-feira, 24 de setembro de 2008

...Esvaziar-se

Antes sentia inveja, Era como se os caminhos não percorridos trouxessem aos seus lábios cheios de sede uma penumbra de arrependimento... Era como SE. Pois naquela época apenas não entendia que os caminhos eram únicos, e ficava a fitar as palavras da amiga com a dor de quem não viveu. Ficava a olhar a paz da realização do semelhante como se lhe fosse incapaz chegar até lá. Ficava.
Que sensação inominável a de ficar, como se estivesse parada num ponto do tempo e seu ser retilínio pensava querer virar as voltas que todos que partiam dela experimentavam. Mas qual era a ilusão que não foi preciso mais que a pureza para acordá-la.
Não mais brilhavam em seus olhos o desejo de estar no lugar do outro. Dos outros. Das outras. (As amigas que percorreram caminhos que um dia ela sonhou). De que valiam as fórmulas,as viagens,os certificados e os relacionamentos expostos na vitrine de seus ouvidos? Não eram a vida dela. Porque a vida dela estava junto à calmaria de um gato. Estava junto ao simples, ao caminhar e olhar a estrelas como as formigas no chão. E sorrir com o espontâneo e estar junto aos anônimos.
Quão valiosos eram os anônimos de sua vida! O sucesso,agora... cheirava-lhe mal. E se um dia foi imprescindível, tornara-se agora um descartável vasilhame que ela transformaria em aprendizado. Porque a sabedoria era diferente das informações e do reconhecimento. Era quieta e silenciosa e deslizava por entre os dedos mais inimagináveis e evitáveis possíveis...dos outros. Aqueles outros que rejeitavam a plausível nudez dos simples. A plausível nudez dos pobres e grandes. Grandes,pra ela.
Grandes, para a sua calma adquirida e ainda delicadamente cultivada como um sol insistente que oferece a sua luz aos lugares mais recônditos.

Um comentário:

anailuj disse...

"como um sol insistente que oferece a sua luz aos lugares mais recônditos"

Deve então ser o mesmo sol que vai sempre cantar.

Seu lugar me traz paz Jose.