sábado, 27 de junho de 2009

Cinzas...


Estava num olhar perdido que sob a luz e a roupa cinza,me transmitiam uma visão do sagrado. Dormia por sobre este mesmo azul de olhos marejados de incompreensões. Era a cor que exalava uma essência de um ser contraditório. E falar a palavra cinza me fazia estimar a dor de não poder segurá-la contra mim. Dispersas eram as sensações, mas imensas ,imensuráveis. Apareceram também quando depois do calor de tantas trocas, algumas coisas sobraram. Sobrara o vazio de querer a atenção daquele intenso fogo que almas irmãs alimentaramm. E que não mais se saciam,por sobrar a impossibilidade de estarem juntas. Sobrava a descrença em um futuro promissor. E insistentemente sobrava a tristeza por ver mudada a face branca de paz profunda em negro -cinza,que se afastava de mim. Em cinza ficou aquela impressão de que poderia ter sempre aquela mesma pessoa com quem contar. Cinza o meu amor, retrato de grandes chamas, resultado de grandes decepções que fiz valer. A auto afirmação riscou o fogo da transformação, o medo de não suportar a vida, de não mudança,alimentaram as labaredas. E transformou-se em fim o que eu supunha eterno. Sem clareza de detalhes, sem as tonalidades esperadas, com a separação certeira de luz e sombra,ofertou-me a sombra das dúvidas que um dia esperei nunca ter. A vivacidade,o ardor,a impetuosidade de ser o que se é,de amar intocavelmente... Eram, agora,cinza apenas.

3 comentários:

Vinicius Gabriel disse...

Nossa, que belo texto.
Adorei.
Como dizem..'No final, tudo vira cinzas..'
Beijão.

Fernanda Magalhães disse...

Ea cinzas jogue ao mar.

Belo texto.

Bjos!

Ana disse...

Já nem sei mais de que cores são minhas sensações.
Acho que estou um tanto quanto daltônica nesse sentido.

Mas estou aprendendo a matar e atirar as cinzas (pra perto).

Saudadade daqui, saudade de ti.
Bom final de semana.